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quarta-feira

Este é o Eco Graffiti

Lama, grama ou terra. O importante do Eco Grafite é passar a mensagem sem agredir o planeta.

Um pouco de terra molhada, grama e responsabilidade socioambiental foram suficientemente férteis para se plantar, em meio de prédios e ruas, o Eco Graffiti. A criativa expressão artística chama a atenção de quem passa pela cidade e se depara com estencil de lama, murais de grama e verdadeiras obras de arte e protesto nas paredes.


Do caos à lama:

Acreditando que não apenas a arte, mas também o que se usa para se expressar através dela deve ser considerado, o jovem artista Jesse Graves optou por um material natural e, no mínimo, pouco utilizado: a lama. Com um molde reutilizável, a terra húmida e esponjas, Graves espalha pela cidade de Milwaukee, no estado americano de Wisconsin, ideias de uma vida mais verde, saudável e responsável.

Para levar a sua mensagem, Jesse abdicou das tintas em spray e criou o MSR (Mud Stencils Rule ou Prática de Stencil com Lama) para dar, literalmente, um toque verde ao ambiente urbano. “Comecei a usar o estencil com lama para colocar a consciência ambiental nos espaços públicos e escolhi o material porque é a substância fundamental à vida – lógica das minhas mensagens”, explica Graves.

Na foto acima, Jesse escreve “Eat Wild” em referência a uma alimentação saudável e o mais natural possível.

No seu site, o artista ensina como fazer e aplicar o molde (claro que utilizando como matéria-prima a lama ou barro), mostrando que de maneira simples e sem muita bagunça, o stencil de lama pode ser feito por quem quiser.


Grass What?

O Eco Graffiti traz a natureza para o urbano sem precisar de entrar em choque com as linguagens habituais do mundo moderno. Não podemos ter árvores? Coloquemos, então, grama nas paredes. Faltam jardins no meio dos estacionamentos? Um cheiro de grama molhada na calçada já pode ajudar a criar um clima menos stressante.

A designer Edina Tokodi também é adepta dessa ideia e projeta em paredes de construções e locais abandonados obras de arte que usam madeira como forma e grama como conteúdo. Plantando murais e figuras, a artista criou o projeto Grass What? (Grama o quê?) que possibilita um contacto especial entre a cidade e a vegetação.

Grama na parede. Assim é exposto o projeto Grass What? da artista.

“Eu acho que a nossa distância da natureza é um clichê. Os moradores da cidade muitas vezes não têm relação com os animais ou vegetação. Como um artista público sinto o dever de chamar a atenção para as deficiências na nossa vida quotidiana”, pontua Tokodi.

Edina tem cuidado com suas plantas e frequentemente volta ao seu sitio para visitá-las, mas diz que a partir do momento em que as coloca nas ruas públicas,a vegetação realmente ganha vida, mas ela preocupa-se.

“Como cultivadora de uma sensibilidade eco-urbana, fico curiosa para saber como as pessoas irão receber as criações, se vão gostar, cuidar ou simplesmente abandoná-las, e isso é o que torna o meu trabalho semelhante ao graffiti”, acrescenta Tokodi.

Com madeira e plantas, Tokodi leva para ruas e becos um pouco de vida vegetal.


O grafite na sociedade

Desmitificando o antigo paradigma de “degradação do património”, o graffiti ganha a cada dia mais profissionalismo e estabelece-se na sociedade como uma incrível ferramenta de expressão cultural, artística e política que se comunica de maneira respeitosa com o meio público e a população.

Denis Sena, artista plástico e, sem medo ou vergonha de dizer, grafiteiro baiano, acredita que a arte urbana é um dos importantes veículos de comunicação, principalmente dentro de bairros e comunidades, onde o diálogo entre imagens e cidadãos é um forte agente transformador.

“A arte Urbana tem o objetivo de dialogar com a realidade, gritar sem fazer barulho. Então ela assume o papel de informar e contribuir com a transformação positiva da comunidade”, pontua Sena.

Mesmo sem usar materiais alternativos, o grafite pode assumir compromisso social. Na foto acima, mais uma criação feita com lama e estencil.

Mesmo usando as tradicionais tintas, o artista que transmite boas mensagens em desenhos do graffiti acredita que a arte também deve ter responsabilidade e aposta na arte-educação como instrumento para a construcção dos cidadãos.

Há nove anos integrando a organização não-governamental Projeto Cidadão, situada em Salvador, Denis afirma: “Nas minhas intervenções eu falo sobre amor e paz, não adianta querer o fim da violência se você a reproduz nas paredes. Comecei a interessar-me ainda novo por grafite através do Projeto Cidadão que ficava no meu bairro, por isso acredito que a arte-educação influencia o contexto e deve ser levada a sério”.